Wednesday, April 29, 2009
54 anos
Espero que tenhas gostado da estrelícia que te foi oferecida há 300Km atrás... Fazes falta todos os dias. Amo-te.
Wednesday, January 14, 2009
Isolada
Será que me isolo não querendo sentir o que sinto ou será que não sinto estando isolada como estou? Será que fujo do sentir com medo do perder ou perco por fugir do sentir? Cada vez me sinto mais isolada, parece-me que já não falo há anos, ou melhor, que já não converso há anos, que não me dispo e converso, que não me encruo e despejo o que vai em mim. Nem quero falar, ou sentir, ou fugir... só quero estar aqui, no escuro, fechada, sem que nada me toque, me sensibilize, me deseje, me chame a atenção. É difícil demais querer ou sentir sem ter, sem compreender porque não tenho, porque estou privada do sentir e do ter, de ti, de mim, de tudo o que era uma promessa de futuro e que num dia se tornou numa promessa de um pesadelo. Quem diria que uma pequenina senhora trazia em si um Mundo de fé em mim, trazia toda a fé que alguma vez houve em mim e num dia, num miserável dia tudo voou com um vento que foi um vendaval e se tornou numa tormenta interminável.
Tuesday, December 23, 2008
2 anos
Passaram dois anos e o Inverno ainda não me abandonou. Há um frio gelado que começa dentro de mim, no fundo de mim e progride para a superfície de mim. O gelo vem de dentro e não de fora. É parte de mim e impossível de expulsar. Não há roupa, agasalho ou aquecimento suficiente para fazer-me sentir novamente quente e plena. Faltas tu... a toda a hora. Há dois anos que na falo contigo... escrevo-te estas mensagens que não lês mas me aliviam, mas há dois anos que não falo contigo e temo um dia vir a esquecer o tom da tua voz.
Passaram dois anos e enquanto parece que o Mundo só agora recomeçou a rotação eu ainda fico tonta com a sua escassa velocidade. Dois anos e ainda acho que não estou adaptada a que os dias surjam em sequência sem que tu chegues. Mas afinal, será que se esqueceram de ti? Como pode o Mundo arrancar, largar amarras sem tu aqui estares, sem te terem prevenido, sem se lembrarem que pouco me interessa o destino tal é o frio que emana de mim sem o teu abraço.
Passaram dois anos mas perdura a dor e cresce a saudade de falar contigo... ou mesmo só de estar na tua presença. Nunca mais ficarei no teu sofá a ouvir-te mexer pela casa fora e sabendo que ali e contigo tudo o resto é pequeno e insignificante. Tantas foram as vezes que foste o meu Mundo e o meu forte e eu não consegui sê-lo uma vez que fosse contigo. Dois anos depois não consegui ainda obter o meu perdão. Amo-te, mãe!
Passaram dois anos e enquanto parece que o Mundo só agora recomeçou a rotação eu ainda fico tonta com a sua escassa velocidade. Dois anos e ainda acho que não estou adaptada a que os dias surjam em sequência sem que tu chegues. Mas afinal, será que se esqueceram de ti? Como pode o Mundo arrancar, largar amarras sem tu aqui estares, sem te terem prevenido, sem se lembrarem que pouco me interessa o destino tal é o frio que emana de mim sem o teu abraço.
Passaram dois anos mas perdura a dor e cresce a saudade de falar contigo... ou mesmo só de estar na tua presença. Nunca mais ficarei no teu sofá a ouvir-te mexer pela casa fora e sabendo que ali e contigo tudo o resto é pequeno e insignificante. Tantas foram as vezes que foste o meu Mundo e o meu forte e eu não consegui sê-lo uma vez que fosse contigo. Dois anos depois não consegui ainda obter o meu perdão. Amo-te, mãe!
Tuesday, December 2, 2008
Wednesday, October 22, 2008

Começo a recear a irreversibilidade desta insatisfação. Anseio pertencer a algo, alguém, qualquer coisa e vens-me sempre à memória lembrando-me o quanto sou incompleta e como tal imperfeita. Parece que entro no jogo logo em desvantagem, falta-me a carta principal, a minha força, inteligência e segurança. Assim ando há quase dois anos mas só agora me apercebi de que posso vir a perder o jogo por causa de ti. O que foi que te levou e, contigo à força que eu parecia ter? Quem raio decidiu que havias de ser tu se todos os dias passam por mim carcaças de pessoas que vagueiam sem rumo? Quem tomou tal decisão? Quem? A quem é que eu posso bater à porta para reclamar e despejar as minhas lamúrias exigindo-te de volta? A quem posso processar, agredir, fazer sangrar por tu não estares aqui? Quem é que vai restituir a minha integridade? Quem é que vai devolver o meu alento? Quem é que vai reparar este engano? Mas quem é que ainda me pode ouvir e não deixar passar este pesar que me acompanha em vão? Quem é que vai reparar o meu sorriso e torná-lo novamente espontâneo? Quem? Quem? QUEM? Será que ainda engano alguém fingindo-me viva?
Sunday, September 28, 2008
De tão pequena que sou

Porque é que o Mundo não me engole de tão pequena que sou?
Porque é que prefere divertir-se a ver-me patinar, nadar atrapalhadamente contra as marés?
Porque é que este Mundo não me engole de vez e apaga a memória do meu nome?
E se eu nunca tivesse nascido? Quem mal teria acontecido? Nenhum!
E se eu nunca tivesse dado um suspiro, aberto os olhos, estendido a mão?
Mas porque é que a Terra não se abre para me acolher no seu útero e eliminar desta superfície em que o sacrifício e a dor ainda são constantes?
Há dias, ou semanas, nem sei se não serão meses, que não consigo mesmo ultrapassar a tua falta e lá vem este estúpido desejo de te telefonar e de ouvir a tua voz. Apetece-me bater em mim própria! Raios! Como posso esquecer que nunca mais te vou ouvir?! Como posso andar tão atarefada, atrapalhada e estupidificada que perca noção da mais terrível certeza, a de que já cá não estás. Sim, bem posso ficar a chorar, na cama, no carro, onde me apetecer… porque os teus braços não vão nunca mais me envolver, nem o teu coração bater de maneira a cercar o meu.
Queria tanto falar contigo, mãe!
Porque é que não se abre o céu e me engole apagando a memória de meu nome?
Porque é que prefere divertir-se a ver-me patinar, nadar atrapalhadamente contra as marés?
Porque é que este Mundo não me engole de vez e apaga a memória do meu nome?
E se eu nunca tivesse nascido? Quem mal teria acontecido? Nenhum!
E se eu nunca tivesse dado um suspiro, aberto os olhos, estendido a mão?
Mas porque é que a Terra não se abre para me acolher no seu útero e eliminar desta superfície em que o sacrifício e a dor ainda são constantes?
Há dias, ou semanas, nem sei se não serão meses, que não consigo mesmo ultrapassar a tua falta e lá vem este estúpido desejo de te telefonar e de ouvir a tua voz. Apetece-me bater em mim própria! Raios! Como posso esquecer que nunca mais te vou ouvir?! Como posso andar tão atarefada, atrapalhada e estupidificada que perca noção da mais terrível certeza, a de que já cá não estás. Sim, bem posso ficar a chorar, na cama, no carro, onde me apetecer… porque os teus braços não vão nunca mais me envolver, nem o teu coração bater de maneira a cercar o meu.
Queria tanto falar contigo, mãe!
Porque é que não se abre o céu e me engole apagando a memória de meu nome?
Wednesday, September 3, 2008
O gesto de uma outra filha

A minha pele gelou quando vi o gesto daquela filha. O sangue que corria nas minhas veias tornou-se espesso e gelado e fez surgir uma lancinante dor de cabeça que me desorientou como pessoa. Só na manhã seguinte me reorganizei e só então consegui chorar. Já aquele gesto me tinha tocado profundamente demais e relembrado uma dor nunca esquecida.
Mas enquanto lá estava, parcialmente toldada pela pessoa que fui, pensava qual a justiça deste Mundo. Qual a justiça de ter resgatado alguém e não ter o meu “alguém” de volta? Foi como se fosse pequenina, como a minha menina que, quando se porta bem, tem direito ao seu prémio de volta. Pois, mas a ti não deixaram voltar… Afinal, portei-me bem, trouxe aquela mãe de volta mas a minha não regressa. E foi nesse turbilhão de pensamentos desconexos e sem sentido que me apercebi que por mais mães, pais, filhos e avós que possa trazer de volta, cuidar e recuperar, TU não voltarás. Já nem sei como pude falar com aquela filha, sem saber sequer no que estava a pensar. Só queria dizer-lhe que aproveitasse, que dissesse o que tinha a dizer sem esperar por um momento mais especial ou um dia em particular. Todos os dias foram especiais enquanto pude ter-te, mãe.
E foi então que ela fez aquele gesto. Aquele afagar do cabelo da mãe, aquela carícia. Aquele gesto para mim foi mais que um beijo. Será inato? Será um gesto filial? Será que é daquela forma que todas as filhas pretendem mostrar o desespero, amor e necessidade de uma mãe? Será que percebeste que, quando eu era a filha e tu a mãe e, te afaguei o cabelo te queria dizer o quanto te amava, o quanto precisava de ti, o quanto não imaginava a minha vida sem ti, nem mesmo que fosse por uma só noite no hospital? Será que percebeste que faria tudo para não te ter deixado ali, mãe? Perdoas-me? Será que percebeste que não o pretendia como despedida? Será que entendeste que nunca imaginei que te fosse perder assim? Será que guardaste o significado do que fiz, da carícia de todo um dia de pé ao teu lado, do segurar da tua mão, do acariciar do teu cabelo, do olhar prolongado nos teus olhos, sempre lindos e quentes apesar do sofrimento? Será, mãe, que nos teus últimos momentos me recordaste como crescida ou como a menina no teu colo? Ai, mãe, sou crescida mas não quero, quero voltar a ser a tua menina, quero voltar ao cheiro do teu colo, ao calor que sentia quando estavas por perto. Quem me dera também ter uma oportunidade, como aquela filha de te afagar o cabelo e abraçar-te ainda quente e não ter já a recordação do teu corpo frio e sem cheiro como naquela noite e naquele dia. Quem me dera poder ver-te novamente sorrir como avó e, quem sabe até, como mãe. Quem me dera que não te recordasse tão sofrida e eu tão estúpida. Perdoa-me, mãe… perdoa, por favor.
Mas enquanto lá estava, parcialmente toldada pela pessoa que fui, pensava qual a justiça deste Mundo. Qual a justiça de ter resgatado alguém e não ter o meu “alguém” de volta? Foi como se fosse pequenina, como a minha menina que, quando se porta bem, tem direito ao seu prémio de volta. Pois, mas a ti não deixaram voltar… Afinal, portei-me bem, trouxe aquela mãe de volta mas a minha não regressa. E foi nesse turbilhão de pensamentos desconexos e sem sentido que me apercebi que por mais mães, pais, filhos e avós que possa trazer de volta, cuidar e recuperar, TU não voltarás. Já nem sei como pude falar com aquela filha, sem saber sequer no que estava a pensar. Só queria dizer-lhe que aproveitasse, que dissesse o que tinha a dizer sem esperar por um momento mais especial ou um dia em particular. Todos os dias foram especiais enquanto pude ter-te, mãe.
E foi então que ela fez aquele gesto. Aquele afagar do cabelo da mãe, aquela carícia. Aquele gesto para mim foi mais que um beijo. Será inato? Será um gesto filial? Será que é daquela forma que todas as filhas pretendem mostrar o desespero, amor e necessidade de uma mãe? Será que percebeste que, quando eu era a filha e tu a mãe e, te afaguei o cabelo te queria dizer o quanto te amava, o quanto precisava de ti, o quanto não imaginava a minha vida sem ti, nem mesmo que fosse por uma só noite no hospital? Será que percebeste que faria tudo para não te ter deixado ali, mãe? Perdoas-me? Será que percebeste que não o pretendia como despedida? Será que entendeste que nunca imaginei que te fosse perder assim? Será que guardaste o significado do que fiz, da carícia de todo um dia de pé ao teu lado, do segurar da tua mão, do acariciar do teu cabelo, do olhar prolongado nos teus olhos, sempre lindos e quentes apesar do sofrimento? Será, mãe, que nos teus últimos momentos me recordaste como crescida ou como a menina no teu colo? Ai, mãe, sou crescida mas não quero, quero voltar a ser a tua menina, quero voltar ao cheiro do teu colo, ao calor que sentia quando estavas por perto. Quem me dera também ter uma oportunidade, como aquela filha de te afagar o cabelo e abraçar-te ainda quente e não ter já a recordação do teu corpo frio e sem cheiro como naquela noite e naquele dia. Quem me dera poder ver-te novamente sorrir como avó e, quem sabe até, como mãe. Quem me dera que não te recordasse tão sofrida e eu tão estúpida. Perdoa-me, mãe… perdoa, por favor.
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